quarta-feira, 29 de março de 2017

Pediram-me uma história... aqui vai ela:

Era uma vez uma joaninha que se chamava Pintinhas. A joaninha adorava as suas oito pintas pretas, quatro em cada uma das suas asas, tinha grande vaidade nelas. Sempre que a oportunidade surgia, num espelho, numa montra de loja, numa janela, ou mesmo nas águas do riacho que corria perto da casa dela, gostava de admirar as suas pintas pretas sobre o vermelho vivos das asas.
Uma manhã, levantou-se, como sempre bem disposta, e como era seu hábito, correu logo para o espelho do guarda-fatos para admirar as suas pintinhas... Oh! Que desgraça! As suas pintas tinham desaparecido! 
Desesperada, deixou-se cair no chão e chorou baba e ranho pelas suas pintinhas.
Passando um bocado, já sem fôlego, parou de chorar e resolveu procurar as suas pintas! Entrou na casa de banho para lavar a carita e nem reparou numa pinta preta bem coladinha no espelho por cima do lavatório. Chegou à cozinha para matabichar e não reparou na pintinha preta rodeada de pintinhas brancas na toalha da mesa. Voltou ao quarto, depois da deliciosa tacinha de flocos de aveia onde outra pintinha preta passou despercebida à nossa querida joaninha. Estava agora a escolher os sapatinhos que iria calçar e mais uma vez não notou como os sapatos cor-de-rosa que ela tanto gostava, tinham cada um sua pintinha preta mesmo na biqueira. Calçou-se e foi até à sala buscar a pasta para ir para a escola, já estava atrasada e não reparou nas 3 pintinhas pretinhas espalhadas no écrã da televisão... Saiu de casa a correr e com um profundo suspiro pensou: "Quando voltar da escola as pintinhas tenho de procurar."

E tu, que estás a ler esta estória, sabes onde estão as pintinhas da joaninha?


Qualquer semelhança com a estória intitulada Catatuas de Quentin Blake é mera imaginação! ;-)

segunda-feira, 6 de março de 2017

A pulga empulgada*

Tudo começou numa bela noite quando Nico despia a roupa para vestir o pijama de algodão, preparava-se para dormir uma noite descansada, só queria entregar-se ao sono reparador e eis que...
- Nico, já viste como tens a barriga? Parece que algum insecto andou a dançar a dança da chuva à volta do teu umbigo!
Foi então que Nico contou que tinha tido comichão, mas que ainda não tinha visto o que era.
- Uma pulga. – Afirma ele.
- Não, não deve ser pulga... – disse Marta a pensar na Mia, uma gata que vivia lá em casa... – Como pode ter sido uma pulga se a Mia não tem pulgas? Pode ter sido um desses muitos insetos que passeiam pela casa, impunes, desde que somos “coletores” de pinhas.
Passaram-se alguns dias.
Estavam deitados, e Marta começou a ter comichão num pé... Tira o pé fora dos lençóis e eis um pé pintalgado de vermelho... Entreolham-se e mergulham para os pés da cama e o que encontram? Uma pulga, toda sirigaita, vestida de castanho, aos saltinhos, atrevida, fingindo ignorar os quatro olhos que a seguiam incrédulos e com vontade de acabar aquele passeio descarado por baixo de lençóis alheios. Zás! Dum lance uma mão forte, enorme, agarrou a pulga sirigaita e esta viu-se presa. Com esforço, temperado com raiva, tentava soltar-se, mas em vão. “Que raio! – pensou – já não se pode fazer uma marcha de Primavera em sossego. Ainda por cima neste trilho, onde encontrei tão deliciosos pés, não sei dos quatro quais gostei mais... Até me retemperei para continuar a caminhada e agora, agora, vejo-me apanhada!”
Entre olharam-se novamente, sorriram, abriram a janela do quarto e colocaram a sirigaita da pulga no parapeito do lado de fora e, antes que a pulga empulgada conseguisse agir, um dedão deu-lhe um grande empurrão. A pulga empulgada enquanto planava, só pensava: “olha se tivesse sido um apertão?!”

* Brincadeira com "empolgada" ;-)