Tudo começou numa bela noite quando Nico despia a roupa para vestir o pijama de algodão, preparava-se para dormir uma noite descansada, só queria entregar-se ao sono reparador e eis que...
- Nico, já viste
como tens a barriga? Parece que algum insecto andou a dançar a dança
da chuva à volta do teu umbigo!
Foi então que Nico
contou que tinha tido comichão, mas que ainda não tinha visto o que
era.
- Uma pulga. –
Afirma ele.
- Não, não deve ser
pulga... – disse Marta a pensar na Mia, uma gata que vivia lá em
casa... – Como pode ter sido uma pulga se a Mia não tem pulgas?
Pode ter sido um desses muitos insetos que passeiam pela casa,
impunes, desde que somos “coletores” de pinhas.
Passaram-se alguns dias.
Estavam deitados, e Marta começou a ter comichão num pé... Tira o pé fora dos lençóis e eis um pé pintalgado de vermelho... Entreolham-se e mergulham para os pés da cama e o que encontram? Uma pulga, toda sirigaita, vestida de castanho, aos saltinhos, atrevida, fingindo ignorar os quatro olhos que a seguiam incrédulos e com vontade de acabar aquele passeio descarado por baixo de lençóis alheios. Zás! Dum lance uma mão forte, enorme, agarrou a pulga sirigaita e esta viu-se presa. Com esforço, temperado com raiva, tentava soltar-se, mas em vão. “Que raio! – pensou – já não se pode fazer uma marcha de Primavera em sossego. Ainda por cima neste trilho, onde encontrei tão deliciosos pés, não sei dos quatro quais gostei mais... Até me retemperei para continuar a caminhada e agora, agora, vejo-me apanhada!”
Entre olharam-se
novamente, sorriram, abriram a janela do quarto e colocaram a
sirigaita da pulga no parapeito do lado de fora e, antes que a pulga
empulgada conseguisse agir, um dedão deu-lhe um grande
empurrão. A pulga empulgada enquanto planava, só pensava:
“olha se tivesse sido um apertão?!”
* Brincadeira com "empolgada" ;-)
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