segunda-feira, 6 de março de 2017

A pulga empulgada*

Tudo começou numa bela noite quando Nico despia a roupa para vestir o pijama de algodão, preparava-se para dormir uma noite descansada, só queria entregar-se ao sono reparador e eis que...
- Nico, já viste como tens a barriga? Parece que algum insecto andou a dançar a dança da chuva à volta do teu umbigo!
Foi então que Nico contou que tinha tido comichão, mas que ainda não tinha visto o que era.
- Uma pulga. – Afirma ele.
- Não, não deve ser pulga... – disse Marta a pensar na Mia, uma gata que vivia lá em casa... – Como pode ter sido uma pulga se a Mia não tem pulgas? Pode ter sido um desses muitos insetos que passeiam pela casa, impunes, desde que somos “coletores” de pinhas.
Passaram-se alguns dias.
Estavam deitados, e Marta começou a ter comichão num pé... Tira o pé fora dos lençóis e eis um pé pintalgado de vermelho... Entreolham-se e mergulham para os pés da cama e o que encontram? Uma pulga, toda sirigaita, vestida de castanho, aos saltinhos, atrevida, fingindo ignorar os quatro olhos que a seguiam incrédulos e com vontade de acabar aquele passeio descarado por baixo de lençóis alheios. Zás! Dum lance uma mão forte, enorme, agarrou a pulga sirigaita e esta viu-se presa. Com esforço, temperado com raiva, tentava soltar-se, mas em vão. “Que raio! – pensou – já não se pode fazer uma marcha de Primavera em sossego. Ainda por cima neste trilho, onde encontrei tão deliciosos pés, não sei dos quatro quais gostei mais... Até me retemperei para continuar a caminhada e agora, agora, vejo-me apanhada!”
Entre olharam-se novamente, sorriram, abriram a janela do quarto e colocaram a sirigaita da pulga no parapeito do lado de fora e, antes que a pulga empulgada conseguisse agir, um dedão deu-lhe um grande empurrão. A pulga empulgada enquanto planava, só pensava: “olha se tivesse sido um apertão?!”

* Brincadeira com "empolgada" ;-)

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