segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Café amargo

Uma noite fresca, uma manhã de Outono. A vila praticamente vazia, alguns carros estacionados, ou parados em cima do passeio e os brilhantes semáforos a funcionar!
Parámos o Volks em cima do passeio, perto dos correios e fomos tomar café. O café estava vazio, não é de admirar, tantos cafés e cada vez menos gente.
A dona do café é uma senhora simpática de traços finos e uns expressivos olhos azuis que quando os seus lábios sorriem, mostram um rosto traquina de criança, serena e feliz. Mas a vida não é fácil...
Hoje os olhos azuis encheram-se de lágrimas ao contar como o seu filho teve de partir a semana passada à procura de uma vida melhor, num outro país onde há esperança e onde em breve a sua família se juntará a ele.
Logo de manhã esta sensação de que estamos a perder, a perder pessoas, a perder terreno debaixo dos nossos pés,a empenhar o nosso futuro, o futuro da pátria que pouco se preocupa connosco. 
Ficam os resignados pela idade, pelos laços familiares, quem sabe se apenas até um dia?
Sim, o café tinha um sabor amargo, uma mistura de impotência, revolta, angústia.



1 comentário:

  1. É uma pena...Penamacor sempre deixou fugir quem gostaria de aí viver.Muitas vezes não é porque se quer mas porque se é obrigado. Beijinhos e não fiques tristes. Vives numa Vila muito linda!!!!bjs

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