quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Bibliotecária de província

Aceitamos o desafio de instalar uma nova biblioteca, adquirir documentos, tratamento técnico, organização de espaços, organização de serviços. 
Uma vila, achei que estava à altura e era, de certa forma, o que eu desejava fazer.
Em dezasseis anos, ainda muito falta fazer, mas as condições não permitem. 
Mas não escrevo este texto para me queixar, porque não tenho queixas para fazer, passei essa fase.

Uma bibliotecária de província não tem as mesmas chances de crescer em termos biblioteconómicos, os empréstimos realizados online - a nossa base de dados nem está online!!, as caixas de devolução nocturna de documentos, a quantidade de leitores, as solicitações de informação, sistemas de alarme,clubes de leitura, conferências, etc, etc, etc.

Uma bibliotecária de província rega as plantas, varre o chão, limpa o pó, fala com quase todas as pessoas da comunidade com a ideia de as conquistar (para a biblioteca), faz animação: lê e conta histórias, faz pinturas faciais, não participa em reuniões de planeamento, faz gestão da biblioteca, criando documentos descritivos, orientadores, como se fosse um exercício de simulacro.

Se por acaso quiser voar mais alto, este é o currículo que tenho para mostrar: muito humanismo, profissionalismo limitado pelo nível e variedade de experiências.

"Running to stand still".


1 comentário:

  1. Um currículo feito a pulso e contra as intempéries. Um curriculum muito bom. Polivalente, profissional e humana. Bjs

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