sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Ser reconhecida

Quem não gosta de ser reconhecido?

Penso que todos ficamos felizes quando alguém nas ruas de Nova York (EUA) ou Berna (Suíça), ou Paris (França), se vira para nós e diz algo em português com um grande sorriso de alegria e de reconhecimento, e um certo orgulho: temos algo em comum "Somos portugueses!".

Em resposta à pergunta: "De onde é?" Digo sempre que sou angolana, deixando, por vezes, as pessoas confundidas, pois não é a resposta de que estão à espera. (Deixem que abra aqui um breve parêntesis relacionado com esta situação. Rio-me sempre para os meus botões, traga-os ou não comigo, quando alguém me diz que não é de Penamacor, para me revelar de seguida que é de Aranhas ou da Bemposta, ou qualquer uma das outras aldeias do concelho de Penamacor, o que para mim, está claro, é ser de Penamacor!) No entanto, é o mesmo que me acontece sempre que digo com orgulho que sou angolana...

Em relação a isto de ser angolana, eu tenho de o dizer, pois ninguém pode adivinhar! As minhas roupas, os meus adereços, os meus gostos musicais até poderiam ser um indicador, (e muitas vezes são!), mas... nem sempre. A confusão das pessoas quando digo que sou angolana instala-se porque não estão à espera, convenhamos, não está escrito na cor da minha pele.

Recentemente aconteceu-me algo encantador (a meu ver). Passeava pela ruas de Lisboa, num dos meus vestidos do tecido do Congo, registe-se aqui G-E-N-U-Í-N-O, e reparei em vários olhares de patrícias minhas que reconheciam o tecido, claro que eu, na minha ânsia de ser reconhecida como angolana, estendi o reconhecimento à minha "angolanidade". E sorri, feliz. E sorrio sempre que lembro.

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